"Cities of the Plain", original publicado em 1998, trad. José Antonio Arantes, ed. Alfaguara, 2024.
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| Andrew Wyeth |
Se Todos os belos cavalos é ótimo e A Travessia é estupendo, o encerramento da trilogia da fronteira me pareceu menos interessante, talvez por se sustentar mais em diálogos, recurso que penso não ser o ponto forte de McCarthy, além de colocar em cena vários personagens interagindo, outro terreno que o autor não percorre com tanta destreza. Ainda assim, funciona muito bem como arremate final do ciclo de romances, especialmente pelas sequências do desfecho - primeiro o longo diálogo acerca do sonho dentro do sonho, trazendo para aquele universo algo de kafkiano e de borgeano, abrindo perspectivas de uma metanarrativa que delineia a parceria entre leitor e autor como ato criador de uma densa e enigmática realidade, e por fim com a derradeira cena de acolhimento a um idoso Billy Parham, contrastando com o que ele fizera com o cão velho no final de A Travessia.
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| Gino Covili |
Fortes impressões:
A sabedoria dos cavalos, e o respeito que os homens lhes devem.
Os longos e lisos e negros e irresistíveis cabelos da musa mexicana.
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| Glenn Dean |
"Uma noite a gente estava no rio Platte afastado de Ogallala e eu estava dormindo metido no meu soogan longe do acampamento. Era uma noite de luar assim como esta. Fria. Primavera. Acordei e penso que ouvi eles enquanto dormia e tinha essa baita som de cochicho em toda parte e eram gansos aos milhares voando rio acima. Foram passando por quase uma hora inteira. Escureceram a lua. Pensei que o bando ia fugir mas não. Me levantei e caminhei e fiquei observando eles e alguns dos outros boiadeiros jovens também se levantaram com as roupas que vestiam e estava todo mundo de ceroulas lá de pé observando. Era só esse som de cochicho. Eles estavam bem no alto e não faziam barulho nem nada e eu não podia imaginar que uma coisa daquela ia acordar a gente como acordou." (pág. 121)
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| Thomas Hart Benton |
Uma associação talvez despropositada, mas curiosa: desde A Travessia que a busca dos irmãos pelos cavalos já me fizera lembrar do conto taoísta narrado bem no início da novela de Salinger (Pra cima com a viga, moçada!), lembrança reforçada agora quando Billy rememora a familiaridade do falecido irmão Boyd com os cavalos, ecoando Buddy referindo-se a Seymour Glass: "não consigo pensar em ninguém mais como ele, para ir procurar cavalos". Não bastasse isso, a ternura comovente da cena final, em que um alquebrado e velho Billy é acolhido no lar de uma família de desconhecidos, quando diz "eu não sou ninguém" e ouve que "eu sei quem o senhor é", me fez lembrar da figura da Senhora Gorda, imagem metafórica criada pelos irmãos Glass (em Franny & Zooey) para referir-se a uma pessoa desconhecida, desamparada e solitária, mas que de alguma forma compartilha da mesma existência, do mesmo momento, da mesma vida - e que, em última análise, é o próprio leitor.
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| Maynard Dixon |
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| Frederic Remington |
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| capa da edição |






