Partindo do título do livro, com sua sugestão da vida como fenômeno fugaz diante do sol imperioso e inequívoco, chego a Et facta est lux (pág. 23), com sua irônica vulnerabilidade diante do dixit divino - a escuridão como verdade primordial e essencial, os luzeiros brilhantes como ilusões (falsas e fascinantes):

Me acostumo ao casulo e suas trevas, sei que a ele pertenço, o tenho como fortaleza contra a desilusão e contra a espera inútil por manhãs enganosas. Meu Plano de fuga (pág. 32) é para dentro:

É para dentro: a verdade interior é escura. A luz é o que seduz, atrai, ilude, agride, consome - mas não destroi o essencial, oculto na verdade da noite primordial, como na Fala da mariposa (pág. 69):

Luz, teus truques baratos podem até me enganar por momentos, mas sei que és vazia - tenho em algum recanto inato de mim a reminiscência da mágica verdadeira, inefável, misteriosa. Teu espetáculo de sombras nas paredes é quase convincente, embora não passe de Ilusionismo (pág. 77):

Eis que um gesto de reconhecimento me alcança desde milênios, um Aceno (pág. 81) ancestral impresso na escuridão de uma caverna, onde sempre é noite, onde todas as imagens anteriores - lâmpada, casulo, coração, mágica - convergem para uma forma suprema de ausência, de negativo que se eterniza, de lucidez na escuridão, de rastro real da vulnerabilidade humana e da sempiterna tentativa de expressão de tudo o que vai marcado na ventura da vida: arte.

Entendo que é meu - só pode ser meu - este voo breve sob o sol.

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