[quando a vulgaridade sufoca até o pensamento]
"Não, não me enterraram, embora haja um período de tempo que lembro nebulosamente, com um espanto arrepiante, como uma passagem por um mundo inconcebível que não tinha em si esperança nem desejo. Vi-me de volta à cidade sepulcral, ressentindo-me da visão de pessoas andando apressadas pelas ruas para roubar um pouco de dinheiro umas das outras, devorar suas infames comidas, engolir sua insalubre cerveja, sonhar seus sonhos insignificantes e tolos. Elas invadiam meus pensamentos. Eram intrusas cujo conhecimento da vida era para mim uma irritante impostura, porque eu me sentia tão certo de que não podiam conhecer as coisas que eu conhecia. O porte delas, que era simplesmente o porte de indivíduos vulgares tratando de seus negócios na certeza de uma perfeita segurança, era ofensivo como o ultrajante pavonear-se da loucura diante de um perigo que é incapaz de compreender. Eu não tinha qualquer desejo particular de iluminá-los, mas sentia uma certa dificuldade em impedir-me de rir na cara delas, tão cheias de estúpida importância." (pág. 113-114)
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[este outro trecho contrasta curiosamente com a equivocada expectativa sobre o tipo físico do capitão da embarcação em "O que podemos saber", de McEwan; pensando bem, a comparação entre os dois romances pode render boas perspectivas]
"O Diretor de Companhias era nosso comandante e nosso anfitrião. Ali parado na proa, olhando em direção ao mar, era com afeto que observávamos suas costas. Não havia em todo o rio algo que parecesse mais náutico. Parecia um piloto, o que, para um homem do mar, é a segurança personificada." (pág. 11)
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O CORAÇÃO DAS TREVAS, de Joseph Conrad, trad. Marcos Santarrita, ed. Brasiliense, 1984, original de 1899.
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| John Atkinson Grimshaw |

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